Jorge Alves destaca os principais temas do VIII Congresso da SPPCV

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Para Jorge Alves, presidente do VIII Congresso da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, a organização de um evento com tamanha dimensão é um desafio constante, que implica muito trabalho e dedicação. Refere, no entanto, que conta com o apoio de toda a Comissão Organizadora e secretariado e que, juntos, trabalham para que o congresso seja de elevada qualidade científica. O objetivo é melhorar a competência daqueles que lidam com a patologia de coluna em Portugal.

A Inteligência Artificial pode vir a ser importante no desenvolvimento de estratégias terapêuticas para a doença metastática vertebral e a Robótica no seu tratamento cirúrgico.

Os temas centrais desta 8ª edição são a “Robótica e Inteligência Artificial” e a “Doença metastática vertebral”, porquê?

Os dois primeiros visam o futuro, a procura constante da diminuição do risco de adversidades no tratamento das diferentes patologias da coluna. A Robótica tem sido aplicada, com sucesso, em outras áreas da Medicina. É usada conjuntamente com a navegação e a sua introdução tem como principal objetivo a melhoria no posicionamento dos implantes, habitualmente usados para fixação, ou a reconstrução da coluna vertebral, sobretudo em casos de cirurgia de revisão, ou da presença de alterações anatómicas. A diminuição da exposição à radiação e a possibilidade de realização de cirurgias à distância são outras possíveis vantagens.

A introdução da Inteligência Artificial – pela capacidade de os sistemas de computação conseguirem uma análise quase instantânea da informação contida em base de dados – ambiciona melhorar a nossa eficácia na tomada de decisões, relativamente ao tratamento das diferentes patologias, minimizando o risco de complicações e dos custos despendidos, sobretudo em candidatos cirúrgicos.

Este tipo de tecnologia vem substituir os modelos preditivos tradicionais da estatística e espera-se que, no futuro, venha a ter um papel decisivo na Medicina.

Por outro lado, torna-se importante abordar o tema da Doença Metastática Vertebral. O envelhecimento da população tem levado a um incremento no número de casos de doentes com patologia oncológica e a coluna é um local frequente de metastização. Os constantes avanços no conhecimento e tratamento dos diferentes tipos de tumores pode alterar de forma significativa a nossa conduta terapêutica da doença metastática e é por isso que o debate sobre o tema é sempre interessante.

Após este esclarecimento, pode dizer-se que a Inteligência Artificial pode vir a ser importante no desenvolvimento de estratégias terapêuticas para a doença metastática vertebral e a Robótica no seu tratamento cirúrgico.

Como está a correr a experiência de organizar este congresso?

A organização de um evento com esta dimensão implica muito trabalho e dedicação. É um desafio constante, porém, conto com a ajuda de todos os elementos da Comissão Organizadora e do secretariado.

Devo realçar o trabalho desenvolvido pelas anteriores direções da SPPCV, presididas pelo Dr. Álvaro Lima e pelo Dr. Tavares de Matos, no âmbito das relações internacionais. Provavelmente, vamos contar com a presença do Dr. Jeffrey Wang, presidente da North American Spine Society (NASS), e do Dr. Hani Mhaidli, vice-presidente da Sociedad Ibero Latinamericana de Columna (SILACO), que nos vão brindar com um curso pré-congresso NASS/SILACO. Além deste, vai realizar-se um Simpósio AOSpine.

Contamos, ainda, com a presença do presidente da Sociedade Italiana de Coluna, o Prof. Dr. Giuseppe Constanzo, assim como de outros palestrantes internacionais de renome.

Esperamos um congresso de elevada qualidade científica, com conteúdos expostos por líderes de opinião, que sejam relevantes para prática clínica.

Além dos temas centrais, que outras temáticas destacam?

Vai haver uma mesa-redonda sobre “Osteotomias da coluna”, um tema sempre “quente”, uma vez que nos impõe grandes desafios e cria ansiedade ao cirurgião, devido ao elevado potencial de complicações associadas.

Destaco também a mesa-redonda “Patologia da articulação sacroilíaca”, uma articulação por vezes esquecida no diagnóstico diferencial de doentes com dor lombar, e onde tem havido progressão, quer no conhecimento, quer na capacidade de tratamento.

O pré-curso NASS/SILACO tem como tema “Prevenção e tratamento de complicações em cirurgia de coluna” e o simpósio da AOSpine é sobre “Fraturas da apófise odontóide no idoso”.

Tenho ainda de fazer referência à introdução de um bloco formativo para os colegas de Medicina Geral e Familiar, pois são quem, numa fase inicial, contacta e orienta os doentes. Os temas a abordar são a “Cirurgia de coluna em Portugal” e a “Gestão de expectativas e referenciação”. Com o primeiro, pretendemos que tenham conhecimento sobre a capacidade técnica instalada e sobre quais são os doentes que mais beneficiam com a cirurgia. Com o segundo, que ganhem competências na gestão de expectativas, uma vez que muitos doentes estão mal informados no que diz respeito às patologias de coluna.

Precisamos de continuar a envolver elementos mais jovens, dinâmicos e de qualidade, que possam dar continuidade ao esforço que tem sido empregue por todos os que se envolveram nos desígnios da SPPCV.

Qual o espaço dedicado aos internos da especialidade neste congresso?

O Congresso da SPPCV também é dirigido aos internos complementares das diversas especialidades envolvidas no diagnóstico e tratamento das patologias da coluna. Esperamos que participem ativamente, enviando trabalhos científicos, para serem apresentados como comunicações orais ou em formato de póster. No nosso congresso existem prémios para a melhor comunicação oral e para o melhor póster.

Precisamos de continuar a envolver elementos mais jovens, dinâmicos e de qualidade, que possam dar continuidade ao esforço que tem sido empregue por todos os que se envolveram nos desígnios da SPPCV.

Quais as suas expectativas em relação ao evento?

Esperamos um congresso de elevada qualidade científica, com conteúdos expostos por líderes de opinião, que sejam relevantes para prática clínica, e que possam melhorar a competência daqueles que lidam com a patologia de coluna em Portugal.

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