“Sinto um enorme orgulho por ter pertencido ao grupo dos fundadores da SPPCV”

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Dr. Rui Peixoto Pinto

Sempre acreditou que a junção de várias opiniões e o diálogo interdisciplinar enriquecem o conhecimento, ajudando na melhoria da qualidade do tratamento das pessoas com patologia da coluna vertebral. Foi com esse espírito e essa missão que o ortopedista Rui Peixoto Pinto se juntou a um grupo de colegas para criar e lutar pelo desenvolvimento da SPPCV. 

Atualmente, olhando para o passado e vendo a evolução da sociedade que ajudou a criar e à qual presidiu por dois mandatos, assim como o desenvolvimento do tratamento que é dado aos seus doentes, Rui Peixoto Pinto, diretor clínico do Hospital de Santa Maria, Porto, afirma sentir “um orgulho enorme” por ter pertencido ao grupo de fundadores desta sociedade científica e por ter conseguido passar a mensagem da necessidade da união das várias especialidades.

Foi o segundo presidente da SPPCV, em 2007/2008. Como foi assumir a presidência da sociedade, numa fase tão inicial, e dar continuidade ao trabalho da primeira direção?

Rui Peixoto Pinto (RPP) – Assumi a presidência da SPPCV em 2007 para um mandato até 2008, que acabou por se prolongar para um segundo biénio, 2009/2010. Apesar do entusiasmo inicial, a SPPCV continuava a ser pequena, afiliada da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e com muitas vozes críticas a negar o seu interesse, a que se juntava alguma instabilidade financeira para se manter como sociedade autónoma.

A que objetivos se propôs na altura?

RPP – A Direção a que presidi propôs-se a aumentar o interesse dos médicos por esta sociedade, que continua a ser uma área de interesse transversal a várias especialidades médicas. Recorremos à organização de reuniões científicas, na forma de congressos nacionais e internacionais, sessões de casos clínicos e apostámos, fortemente, na formação dos internos, uma vez que seriam os especialistas que iriam garantir o futuro da sociedade, tal como se tem vindo a verificar. 

Outra vertente em que apostámos foi no contacto com sociedades internacionais, nomeadamente com a Sociedade Brasileira de Coluna, com a qual mantínhamos uma relação muito firme, sendo a sua “Revista Coluna” o nosso órgão oficial de publicação. 

É sócio fundador da SPPCV. O que o levou a envolver-se na criação da sociedade?

RPP – Desde sempre que acredito que a conjunção de várias opiniões e o diálogo interdisciplinar só enriquece o nosso conhecimento, permitindo melhorar a qualidade do tratamento. A patologia da coluna é complexa, diferente de doente para doente e na qual intervém muitos fatores, além daqueles que podemos objetivamente observar. Por essa razão, o interesse na discussão desses casos complexos e numa abordagem multidisciplinar.

Mudou muita coisa no tratamento da patologia da coluna vertebral até aos dias de hoje? 

RPP – Sem dúvida! Do ponto de vista técnico, o desenvolvimento dos meios auxiliares de diagnóstico (RMN, tractografia, entre outros) permitiram-nos evoluir no diagnóstico das lesões.

No entanto, é na área da cirurgia que se apontam os maiores avanços, que vão desde as instrumentações, aos métodos de fixação. A evolução dos microscópios cirúrgicos, a navegação e a endoscopia permitiram o desenvolvimento da cirurgia minimamente invasiva na patologia da coluna. Aos conceitos iniciais da descompressão e fixação, acrescentámos os conceitos da manutenção ou restauro do equilíbrio sagital e coronal da coluna vertebral.

A monitorização intraoperatória sensitiva e motora, trouxe a possibilidade do controlo do estado neurológico do doente, tornando menos frequente a possibilidade de um agravamento neurológico, nomeadamente no tratamento de deformidades. Também no que respeita ao tratamento da dor, além da evolução terapêutica médica, a evolução técnica de instrumentos e de meios de imagem, possibilitou a realização de técnicas percutâneas. Mas, sem dúvida, é na área de investigação da regeneração celular que reside o futuro do tratamento desta patologia.

Qual o balanço que faz destes cerca de 16 anos de SPPCV?

RPP – Sinto um enorme orgulho por ter pertencido ao grupo dos fundadores da SPPCV e por termos conseguido passar a mensagem da necessidade da união das diferentes especialidades no tratamento da patologia da coluna.

Atualmente, a SPPCV é uma sociedade autónoma, reconhecida nacional e internacionalmente e repleta de membros com interesse em a projetar ainda mais. 

Todo este trabalho se traduz na evolução técnica dos seus membros e na melhoria dos cuidados que prestamos aos nossos doentes.

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